Como Recife melhorou o acesso dos residentes a medicamentos por meio do uso de dados

Resumo

Recife fortaleceu sua governança de dados, a capacidade dos servidores e a gestão baseada em evidências por meio de sua participação no City Data Alliance (CDA). Com a alta procura por medicamentos nas farmácias municipais, Recife usou seu sistema farmacêutico para captar a demanda real, alinhar estoques entre unidades e aprimorar os fluxos do trabalho na ponta. Ao tornar a disponibilidade de medicamentos visível e ajustar a oferta às demandas reais, a cidade reduziu a incerteza para os residentes, aumentou a transparência no sistema de saúde e tornou o acesso a medicamentos essenciais mais confiável.

 

Visão

Para muitos moradores de Recife, especialmente pacientes crônicos, obter medicamentos essenciais exigia visitas a várias farmácias, gerando atrasos e estresse evitáveis. Esses desafios eram ainda maiores para pessoas com mobilidade reduzida. Ao mesmo tempo, as equipes das farmácias não tinham informações precisas sobre a demanda dos usuários.

O prefeito João Campos definiu um objetivo claro: garantir que os moradores consigam acessar de forma confiável os medicamentos de que precisam, independentemente de onde vivam. Isso exigia melhorar a visibilidade sobre a disponibilidade, alinhar a oferta às demandas reais e apoiar os profissionais responsáveis pela operação diária das farmácias, fortalecendo sua capacidade de planejar estoques e atender pessoas.

 

Abordagem

O trabalho de Recife baseou-se em capacidades institucionais desenvolvidas no CDA, incluindo a criação do comitê de governança de dados, a adoção de um protocolo municipal de dados e a implementação de um sistema centralizado de gestão que conecta políticas, programas e serviços públicos. Com essas bases, a cidade concentrou-se em três prioridades:

  1. Captar a demanda onde ela ocorre: Em vez de criar um novo sistema, Recife adaptou o software farmacêutico existente para registrar dados sobre a demanda e a distribuição de medicamentos. Isso permitiu compreender quais medicamentos eram solicitados, onde ocorriam faltas e como a demanda variava entre as unidades.
  2. Alinhar o estoque às necessidades reais: Com base nos novos dados de demanda, a cidade criou perfis de estoque para cada farmácia, ajustados aos tipos e quantidades de medicamentos mais necessários para os residentes. Essa mudança afastou o sistema de exigências uniformes de estoque e o levou ao planejamento responsivo.
  3. Fortalecer os fluxos de trabalho da linha de frente: A implementação coordenou mais de 184 pontos de retirada de medicamentos e capacitou os agentes de farmácia responsáveis pelo registro de dados e pelo atendimento ao público. Foram aplicadas pesquisas de opinião aos farmacéuticos, e seus feedbacks usados para aprimorar os fluxos de distribuição, a qualidade dos dados e o atendimento ao público.

Após testes internos, a cidade ampliou o acesso por meio do aplicativo Conecta Recife, permitindo que os residentes pesquisem medicamentos, verifiquem a disponibilidade nas farmácias próximas, consultem horários de funcionamento e agendem retiradas.

 

Impacto

A abordagem orientada por dados de Recife trouxe melhorias significativas para os moradores e para as equipes das farmácias:

  • Acesso mais rápido para os residentes: O aplicativo Conecta Recife passou a oferecer busca e reserva de medicamentos, reduzindo a necessidade de deslocamentos entre várias farmácias.
  • Serviço farmacêutico mais confiável: as unidades registraram menos rupturas de estoque e fluxos de trabalho mais estáveis, resultando em maior regularidade no fornecimento de medicamentos essenciais.
  • Maior equidade para usuários frequentes: análises sobre mobilidade, transporte e restrições de tempo subsidiaram a criação de um novo processo de entrega de medicamentos por motocicleta para moradores que enfrentam maiores dificuldades.
  • Informações mais robustas para a saúde pública: a análise dos novos dados de demanda revelou os medicamentos de saúde mental como a categoria de maior necessidade, orientando o planejamento em nível mais amplo.

Recife segue fortalecendo esse trabalho por meio da ampliação de ferramentas digitais e do avanço de iniciativas voltadas a garantir que o acesso a medicamentos seja confiável, previsível e justo para todos os moradores.

 

Aprendizados

A experiência de Recife demonstra que os dados geram melhores resultados quando são acionáveis, integrados e centrados nas necessidades reais dos moradores. O envolvimento das equipes de farmácia da linha de frente garantiu que as novas práticas de dados se adequassem aos fluxos de trabalho existentes, enquanto o uso de sistemas já disponíveis possibilitou avançar com rapidez, construindo confiança e capacidade institucional. Uma definição clara do problema permitiu que a cidade focasse nas barreiras vivenciadas diretamente pelos residentes, orientando melhorias práticas, viáveis e relevantes. O caso também evidencia que a gestão orientada por dados é um processo iterativo. Ao aprender com o uso, adaptar soluções e explorar aplicações responsáveis de IA, Recife fortalece sua capacidade de oferecer serviços essenciais de saúde de forma mais eficaz.